Literatura século XIX

01/06/2009 at 6:24 pm (listas, livros)

Háá! A produção intelectual está a todo vapor!

Há alguns meses venho consumindo vorazmente romances clássicos do século XIX, que às vezes eu considero mais vanguarda que muita coisa patética que tem por aí hoje.

anna karenina

Comecei com “Anna Karênina”, de Leon Tolstói,  que é um romance enorme com várias tramas de amor paralelas, e que retratam a busca pelo “algo mais” da vida. Uma citação:

“Todas as famílias felizes são iguais. As infelizes o são cada uma à sua maneira.”

a menina dos olhos

Depois li um pequeno conto de La Comedie Humaine, de Balzac, intitulado “A menina dos olhos de ouro”.  É um pequeno trecho desta obra-prima do realismo, composta de 88 contos interligados. Fico pensando como os playboys daquela época, os dândis, eram muito mais interessantes que os de hoje. Pelo menos eram playboys por convicção, tinham um fundo filosófico… Um luxo em vista dos nossos dias, em que a filosofia está praticamente morta e (bem) enterrada no banheiro de algum baile funk.

o vermelho e o negro

Passei então para outro clásico da literatura realista: “O vermelho e o negro”, de Sthendal. A capa era linda, ilustrada com o auto-retrato de Dominique Ingres aos 24 anos (que você vê no último post em alta resolução) que, aliás, bate perfeitamente com a descrição física de Julien Sorel, o personagem principal. Julien é interesseiro, dissimulado, ganancioso,  inteligentíssimo e lindo. Mostra o lado mais magnífico e, ao mesmo tempo, mais sujo do ser humano: a capacidade de modificar a própria realidade de acordo com os interesses pessoais. A gente se sente mal por ver nele um espelho, mas no fim acaba gostando porque, afinal, é melhor ter a coragem de viver intensamente que ser um medíocre hipócrita que só consegue ter inveja dos outros medíocres mais abastados. Um romance psicológico magistral.

3447_o_retrato_de_dorian_gray__landmark

Por fim, após dar um tempo para me dedicar um pouco às leituras de história da arte, estou lendo um novo livro da cultura dândi: “O Retrato de Dorian Gray”, de Oscar Wilde. Uma curiosidade é que o Auto-retrato aos 24 anos de Ingres também ilustrou uma edição desta obra (ele é sempre usado para ilustrar personagens bonitos, mais adequado neste caso que o retrato do autor que sempre é usado). Ainda é muito cedo para tecer comentários sobre o livro, mas a julgar pelas tiradas excelentes dos primeiros capítulos, tudo indica que será uma ótima leitura. Algumas boas:

“…só há uma coisa no mundo pior do que falarem de nós: é que de nós ninguém fale”. (Clássica)

“O intelecto é em si uma forma de exagero e destrói a harmonia de qualquer rosto”. (Tá aí uma coisa que eu faço de tudo para conciliar, mas devo admitir que a frase está absolutamente correta.)

“A Beleza é uma forma de gênio, sendo mesmo superior ao gênio, pois não necessita de ser explicada”.

“Consigo suportar a força bruta, mas a sensatez bruta é absolutamente intolerável”.

“As coisas sagradas são as únicas em que vale a pena tocar”…

Gostou? Para baixar o e-book “O retrato de Dorian Gray” clique aqui.

Acho que já decidi o tema do meu trabalho de história da arte desse semestre.

Ouvindo: Franz Ferdinand – Jacqueline

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3 Comentários

  1. JFelippe Mac Bastos said,

    O Vermelho e o Negro é um dos romances da minha vida, juntamente com Crime e Castigo e O Apanhador No Campo de Centeio e Feliz Ano Novo do Rubem Fonseca. “O senhor Chélan fora imprudente em relação
    a Julian, como o era para ele próprio. Depois de o ter habituado a raciocinar
    com exatidão e não se iludir com palavras vãs, esquecera-se de dizer que, nas
    pessoas pouco importantes, este hábito é um crime; porque todo o bom
    raciocínio ofende.”, uma das passagens que me marcaram.

    • Jaqueline Viza said,

      É verdade, gosto muito dessa passagem também. Outro personagem marcante para mim é o Lucien, de “Ilusões Perdidas” de Balzac. Na verdade são histórias um pouco semelhantes…

  2. Pedro S. Baldessar said,

    Na capa do livro “O Vermelho e o Negro” o mesmo auto-retrato de Dominique Ingres ” é usado no livro de bolso “O Retrato de Dorian Gray” lançado pela L&PM Pocket. Como eu li este último por primeiro via, neste auto-retrato, o próprio Dorian Gray e não o Julien Sorel…

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